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Viveiro Manequinho Lopes

O Viveiro Manequinho Lopes é um viveiro municipal histórico aberto a visitação e fica dentro do Parque Ibirapuera. O viveiro produz mudas de plantas destinadas aos plantios das áreas públicas da cidade. Também no Manequinho e junto a outros dois viveiros de São Paulo é feito pesquisa e experimentação para aprimorar a produção de plantas.

Em seus 4,8ha no Parque Ibirapuera, o Viveiro Manequinho Lopes possui coleções vivas de espécies vegetais com um rico acervo de 200 espécies diferentes de plantas com potencial paisagístico e à disposição dos visitantes:

  • 10 estufas (casas de vegetação)
  • 97 estufins (canteiros suspensos)
  • 3 telados (estruturas cobertas com tela de sombreamento)
  • 39 quadras entre quadras de matrizes e de estoque de mudas envasadas, prontas para o fornecimento aos órgãos públicos municipais.

Os técnicos do viveiro prestam assistência técnica ao público dando orientações para projetos paisagísticos na cidade de São Paulo.

História do Viveiro Manequinho Lopes

Trechos retirado do Livreto Viveiros da Prefeitura, disponível ao lado para download.

Download do Livreto dos Viveiros Manequinho Lopes, Harry Blossfeld e Arthur Etzel

Download do Livreto dos Viveiros Manequinho Lopes, Harry Blossfeld e Arthur Etzel

Textos de Raquel Carvalho e  Renata Sales

“Para começar nossa história, vamos voltar ao ano de 1798. A cidade de São Paulo era muito diferente da que conhecemos hoje. As pessoas nadavam nos rios, não existiam estes arranhacéus imensos que cortam o céu da metrópole. Naquele ano foi inaugurado o primeiro Jardim Público da cidade, onde hoje é o Parque da Luz. O jardim passou por vários melhoramentos no decorrer dos anos e em 1899 ganhou um administrador, o senhor Antonio Etzel. Naquele ano também a cidade teve como prefeito Antônio Prado, homem muito viajado pela Europa, que conheceu belos jardins e áreas verdes que existiam no Velho Continente e assim, como prefeito, começou a arborizar a cidade. Ele introduziu na cidade o chamado plano americano de ajardinamento, com amplos gramados e ruas direcionais para facilitar o lazer e o trânsito de pedestres. Naquela época, pisar na grama era proibido, e quem fosse flagrado neste ato ilegal era multado. Para dar mais verde à nossa cidade era necessário produzir mudas de árvores e arbustos para plantio em praças e jardins. Existiam dois viveiros para produção de mudas: um pequeno, no Jardim Público (Luz) e um viveiro maior, na região da Água Branca. Em 1916, durante o governo de Washington Luis, a prefeitura comprou um grande terreno, situado na Vila Clementino, local onde seria futuramente implantado o Parque Ibirapuera. Naquela área pantanosa havia aldeias indígenas no início da colonização e, após o povoamento, o local passou a ser pastagem para as boiadas que vinham do interior, destinadas ao Matadouro Municipal (atual Cinemateca).

Apenas em 1927 o prefeito Pires do Rio apontou a necessidade de incrementar o número de áreas verdes na cidade, “úteis à higiene da população urbana”. A cidade foi crescendo e era preciso ter um viveiro maior para arborizá-la. Assim, o viveiro que estava na Água Branca foi transferido para o terreno da Vila Clementino, em 1928. A implantação do viveiro no Ibirapuera proporcionou a formação de muitas árvores para embelezar a cidade, além de arbustos, azaléias, vasos de flores para canteiros e estufa (a antiga estufa quente do viveiro do Jardim Público da Luz foi transferida para o novo viveiro).

Nesse momento de nossa história entra em cena um personagem importante: o senhor Manoel Lopes de Oliveira Filho, nomeado diretor da recém-criada Divisão de Matas, Parques e Jardins, na administração do prefeito Fábio da Silva Prado. Grande conhecedor da área do Ibirapuera, teve a ideia de implantar o viveiro, evitando que o terreno fosse invadido e que a prefeitura perdesse o local, contando com a ajuda de Arthur Etzel chefe da Subdivisão de Parques e Jardins e do chefe viveirista Erwin Burckhardt. O terreno era muito pantanoso e para resolver este problema o senhor Manoel, que tinha o apelido de Manequinho Lopes, plantou muitos eucaliptos australianos no local para a eliminação do excesso de umidade do solo. Depois deu início ao plantio de espécies destinadas ao embelezamento das ruas, parques e jardins: árvores nativas e árvores exóticas como pau-ferro, ipê, pau-brasil, pau-jacaré, tipuana, flamboyant, sibipiruna, bem como o cultivo de arbustos, trepadeiras e flores.

“Ele fazia tudo com o coração, tanto que ia trabalhar até aos domingos, sempre de guarda-chuva, que usava para cutucar a terra dos jardins da cidade para ver se estava bem tratada.” (Francisca Lopes de Oliveira Martines em entrevista ao jornal Pedaço da Vila – março/03)

Em 1933, os responsáveis pelo projeto do futuro Parque Ibirapuera pediram ao prefeito Fábio Prado a retirada do viveiro. Manequinho Lopes ficou indignado e pediu ao prefeito para que fosse criado um viveiro definitivo para a cidade. Felizmente a ideia de remoção do viveiro não foi adiante e Manequinho pôde continuar seu importante trabalho.

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, de 1936, o Viveiro Manequinho Lopes era considerado o maior e mais variado da América do Sul. Neste mesmo ano, o prefeito resolveu incentivar o plantio de árvores na cidade e neste período as mudas eram fornecidas gratuitamente às pessoas interessadas. O amor ao verde era tanto que Manequinho e sua equipe chegavam a fazer jardins gratuitamente em casas e prédios.

Em 1938, Manequinho ficou doente e faleceu. Para homenageá-lo, o prefeito, pelo ato nº. 1372, de 14 de março de 1938, deu o nome de Viveiro Manequinho Lopes para o viveiro municipal. Arthur Etzel, filho de Antonio Etzel (administrador do Jardim Público-Luz), se tornou o novo chefe do Viveiro e trabalhou no Ibirapuera em diferentes funções por mais de 50 anos.

Durante as décadas de 1940, 50 e 60, o Viveiro Manequinho Lopes tinha como função abastecer os jardins da cidade, promover a manutenção e o plantio de novas árvores. Nos anos 60 a cidade crescia muito e foi preciso criar outro viveiro, que foi implantado em Carapicuíba – e mais tarde, transferido para Cotia (Viveiro Harry Blossfeld) – além de treinar novas equipes para o trabalho com o verde nas Administrações Regionais. Em 1987 foi implantado o Viveiro Arthur Etzel, localizado no Parque do Carmo, bairro de Itaquera, onde são produzidos arbustos e herbáceas. Com a crescente preocupação com o meio ambiente e com a necessidade de aumentar as áreas verdes na cidade de São Paulo, em 18 de outubro de 1993 foi criada a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

O Viveiro Manequinho Lopes foi restaurado em 1993. Burle Marx fez um novo projeto para o viveiro valorizando o verde, inclusive as belas árvores. O viveiro, revitalizado, foi entregue à população no dia 24 de março de 1994

Contato Viveiro Manequinho Lopes, DEPAVE 2:
Acesso: Portão 7A
Quando:  segunda a sexta-feira, das 7h às 17h
Telefone: 11 3887–6761